quarta-feira, 7 de julho de 2010

Meus amigos, pensem um pouco mais na vida

Corta-me o coração e mais que isso irrita-me profundamente ver a falta de sensibilidade que muita (a grande maioria) das pessoas tem para com os problemas dos outros.
Não estou a falar de problemas emocionais ou financeiros, estou a falar de problemas fisicos.
Problemas de falta de visão ou de locomoção.
Não vou muitas vezes aos correios, mas quase todas as vezes que lá vou vejo problemas com dificuldades em abrir a porta, ou porque são idosos, ou porque têm alguma deficiência física.
Pois há sempre pessoas á espera, de braços cruzados sem fazer nada que podiam ajudar estas pessoas, sendo que salta á vista o problema de cada um, e ninguém ajuda ninguém, ou pelo menos ninguém ajuda até a pessoa assumir que não consegue sozinha e pedir ajuda. Com que necessidade?
Custa alguma coisa abrir a porta a uma velhota sem que ela peça? Aliás, se ela está do lado de fora, como pode pedir?
Á dois dias deparei-me com uma senhora que apesar de anã e de se deslocar em cadeira de rodas, tenta fazer a sua vida normalmente (com muito mais esforço que qualquer um de nós, claro), estudando, trabalhando, e alertando para os problemas com que se depara no dia-a-dia sempre que pode.
A senhora foi enviar uma encomenda, até aqui tudo bem. Quando entrei ela já lá estava, nem sei como entrou. É que a porta apesar de ter rampa com um bom tamanho, é muito pesada e está sempre fechada, torna-se dificil subir uma rampa e empurrar aquela porta ao mesmo tempo. Ao sair é descer a rampa e puxar a porta ao mesmo tempo: mais dificil ainda.
Antes que ela passasse pelo embaraço de a tentar abrir e deixar cair as coisas e fazer-se ali um grande aparato, fiz como faço sempre que vejo situações destas: desloquei-me para perto dela quando vi que ela se ía embora perguntei-lhe se precisava de ajuda com a porta e abri-a antes de ela pedir.
Não seria necessário fazer-se nenhuma alteração a este sistema da porta se toda a gente fizesse este gesto tão simples que não nos custa nada e para eles é muito.

O senhor Martinho é cego e passa todos os dias na rua em frente ao meu local de trabalho.
Todos os dias o vejo sair de casa e vir passar um bocadinho de tempo á sede do partido.
Muitas vezes há obstáculos e é rara a pessoa que o ajuda, ficam a olhar, e ninguém faz nada. Hoje estacionaram um carro mesmo no sítio onde ele passa. Através da montra vejo-o aproximar-se. Antes de ele lá chegar, levantei-me, atravessei a estrada e pegando-lhe no braço avisei-o do que se passava, que estava ali um carro e ajudei-o a atravessar.
Antes de eu chegar perto dele passaram várias pessoas que ao vê-lo se desviaram dele.
Pois não basta sair-lhe do caminho. É preciso AJUDAR!
O que nos custa a nós que temos os nossos olhos sãos ajudar a ver quem não os tem? É muito difícil para mim ver estas coisas acontecerem quase todos os dias, ver a frieza com que se lida com os problemas dos outros.
Os problemas dos outros podem ser os nossos um dia.
Meus amigos, pensem nisto e pensem que um dia podemos ser nós a precisar de ajuda.
Nós que agora temos tudo, um dia podemos não ter nada.
E caso isso aconteça vai ser muito importante para nós ter a ajuda dos outros.
Se todos fossemos civilizados não seria necessário ninguém pedir ajuda porque antes de a pedir já estaria lá alguém para ajudar. Temos muito que crescer interiormente e evoluir.

Á Jé digo sempre: "Não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam a ti."
Pois a esta frase deveria acrecentar-se "E faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti".

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3 Comentários:

Blogger Cecília disse...

Mónica, parabéns pelas suas atitudes e atenção com as pessoas necessitas. Infelizmente o ser humano esta cada dia mais egoísta, se não fosse assim, teríamos um mundo melhor.
Bjs

12 de julho de 2010 às 15:44  
Blogger lenarte disse...

Olá Mónica, concordo plenamente contigo; ha mtos edificios sem condicoes para deficientes a comecar pelos bancos, todos tem um degrau o unico com cadeira é o publico, CGD, mas mesmo assim ja vi a dita senhora de k falas, pedir a alguem p ir chamar um funcionario do banco p colocar a cadeira em funcionamento, uma vergonha. bjs Ah, sou a tua antiga colega :)

21 de julho de 2010 às 19:27  
Blogger Mónica disse...

É verdade, essa senhora já se queixou publicamente de vários edificios e um deles o mais importante ainda foi a escola onde ela estudou. Teria aulas no 1º andar, mas não tinha forma de subir todos os dias e não foi fácil dar a volta á situação.
Atenção: uma escola. Todos têm direito á educação mas na prática a escola só está preparada para os "normais"...
Um beijinho Lena, obrigada por "me leres" e espero que esteja tudo bem convosco. ;)

22 de julho de 2010 às 18:02  

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